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PROFETA MAOMÉ
No século V, a Arábia
encontrava-se menos isolada do que se supunha. Era percorrida por caravanas,
mercadores e expedições militares, que lhe levavam influências helênicas,
persas e indianas. Os nativos que se situavam ao sul cultuavam deuses
personificados por planetas.
Os árabes do norte acreditavam numa série de espíritos, de diversos níveis
evolutivos, os djinns, que representavam por árvores e pedras. Nessas duas
crenças, todavia, as divindades subordinavam-se a um Deus Supremo - Alá - e
eram cultuados como seres de uma hierarquia divina, e não como deuses de
religião politeísta. A justiça era regida pela Lei de Talião e
preconizava-se a vingança solidária de clã a clã. O núcleo das atividades
comerciais e religiosas era a cidade de Meca, importante, por constituir posto
de água para as caravanas e situar-se numa encruzilhada que levava ao Iêmen,
Egito, Síria e Mesopotâmia. A partir do século V Meca ficou sob o domínio da
tribo Qoraysh. Qosavy, um de seus membros, mandou edificar a Caaba (casa de
Deus), transformando a cidade num grnade centro de peregrinação.
Nesse santuário foram reunidas as divindades de todas as seitas do país,
permitindo que cada um cultuasse a que de sua crença. O recinto foi declarado
sagrado e inviolável, e instituiram o povo de Qoraysh como guardiães. Em fins
do século VI a Arábia já demonstrava alguma tendência para a unidade, tanto
na áera religiosa quanto na política e comercial. Esse predisposição foi
transformada em realidade por Maomé. Não existem dados históricos sobre a
vida desse grande líder. Sua biografia baseia-se nos hadith, conhecidos como
Conversas-de-Mesa de Maomé, vasta coleção de orientações e narrações
deixadas por ele, que formaram as máximas da tradição muçulmana. Pouco se
conhece da juventude e das práticas religiosas de Maomé. Devia possuir
qualidades morais e grande inteligência, apesar de analfabeto, visto que aos 20
anos foi escolhido pela viúva Kadidja como homem de confiança para acompanhar
suas caravanas à Síria. Em seguida ela lhe propôs casamento, união que se
efetuo cinco anos depois. Apesar dos árabes adotarem a poligamia, Maomé não
possuiu outra esposa enquanto sua primeira mulher viveu. Depois casou-se duas
vezes. Recebeu revelações
espirituais, provenientes de uma série de retiros, visto que se dedicava muito
à atividade espiritual. Em 631 resolveu divulgar tais revelações. Devido a
oposição dos Qorayshita, não consegui converter os cidadãos de Meca durante
os 10 anos que ali pregou. Tronou-se alvo de sarcasmo e injúria, coisa que
culminou em uma conspiração para assassiná-lo, no ano 619, quando perdeu a
esposa e o tio que o criara. Em 620, seis peregrinos aderiram as suas idéias,
influenciando e convertendo outras pessoas. Em 24 de setembro de 622, perseguido
e ameaçado, partiu para Yatrib. O dia de sua fuga, chamado Hidjra ou Héjira
(emigração), tornou-se tão importante para os islamitas que passaram a
calcular o tempo a partir dessa data, A.H., Ano Héjira, ou Ano da Fuga. Em
Yatrib teve início uma fase decisiva da religião. Maomé promoveu a
integração dos diversos grupos e tribos que aderiram a ele, com a obrigação
de se submeterem a sua autoridade. No ano 630 regressou a Meca, com um exército
de 10 mil homens, para impôr religião. Vitorioso, dirigiu-se à Caaba, em
torno da qual deu 7 voltas, e tocou na pedra preta com seu bastão. Mandou
derrubar os ídolos erguidos, apagar os afrescos que representavam os profetas
bíblicos, poupando apenas as imagens de Abraão, de Jesus e da Virgem Maria.
Declarou sagrado o santuário, confiando a guarda à Otman ibn Talha, e concedeu
liberdade aos habitantes da cidade, que numa cerimônia de juramento,
prometeram-lhe obediência e fidelidade. Em 10 de março de 632, embora doente,
fez a peregrinação de adeus a Meca, cumpriu todos os ritos para ficarem bem
definidos e proferiu seu último sermão no monte Arafat. Declarou sagrado o
território de Meca e o mês da peregrinação. Exortou os árabes a
permanecerem unidos após sua morte. Proclamou alguns direitos e deveres em
relação
ao casamento e ao comércio. Durante sua liderança extinguiu a Lei de Talião,
fixou o ano em 12 meses lunares e proibiu a usura, ou seja, o empréstimo a
juros. Morreu em 08 de junho de 632. Seus escriba e filho adotivo Thalit
transcreveu seus documentos para um livro que foi chamado Kitab Allah, Livro de
Alá, mais conhecido como Corão ou Al Corão. Esta obra só foi terminada após
20 anos de iniciada. Consiste em 114 souras ou capítulos. Depois de algumas
brigas entre califas, houve o chamado Grande Cisma. Os seguidores se dividiram,
uns ficando conhecidos como Karidjiitas, outros como sendo do partido Shia, de
onde deriva o nome Xiismo
ou Chiismo. A princípio so crentes se denominavam de mumim (fiel), e mais tarde
de muslim(submisso), de onde veio a palavra muçulmano. Nunca possuiram quadro
religioso no sentido de composição eclesiástica. Sempre dispensaram guia
espiritual, por considerarem claramente expressos no AlCorão todos os
ensinamentos. A hierarquia consistia de jurista e não de teólogos e
sacerdotes. O aparecimento das duas maiores seitas muçulmanas, sunitas e
xiitas, deu-se pela discordância sobre a sucessão do califado. A maioria é
sunita. Não se
veja nessa divergência apenas fatores religiosos, mas temporais, vez que os
califas obtinham enormes vantagens nas guerras de conquistas. Os cinco pilares
da fé constituem obrigações que nenhum muçulmano pode deixar de observar:
1- A narração do Kalima - ou seja, a confissão: "Há um só Deus e
Maomé é o Seu Profeta".
2 - Os cinco períodos diários de oração - antes do nascer do sol,ao
meio-dia, imediatamente
antes e depois do pôr do sol e à primeira vigília da noite.
3- A prática da caridade - Não só a esmola, mas bem como hospitalidade com
hóspedes e viajantes.
4 - O jejum durante o mês de Ramadan .
5 - A peregrinação a Meca - obrigação mais solene para os fiéis. Até hoje
tal cerimonial se
mantém inalterado, nos mínimos detalhes.
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