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Os
Instrumentos
da música árabe são variados e podemos destacar os mais
utilizados, tais com os de corda (alaúde, violino e cítara), os de
sopro (vários tipos de flautas; as mais usadas são o nay e o miguêz)
e os instrumentos de percussão (doholla, snujs, dâff, reque,
mazhar tablet, e o derbak).
Os
instrumentos podem ser também classificados em percussivos, melódicos
e harmônicos. A percussão é o lado instintivo e está ligado ao
quadril; a melodia corresponde aos sentimentos e está ligada ao
peito; e a harmonia, ao lado racional, correspondente à cabeça,
apresentaremos a seguir alguns destes instrumentos:
O
Tabla ou derback
como é conhecida, é um instrumento árabe,
é um tambor de uma cabeça que é tocado com as mãos e tem
aproximadamente 40 cm de comprimento, é utilizado sempre pelos
conjuntos e orquestras árabes, tem uma forma cilíndrica, com o
pescoço afunilado, pode ser tocado tanto solto, apoiado
no fêmur esquerdo do músico, e mantido no lugar certo com a parte
de baixo do pulso esquerdo ou suspenso por
uma corda sobre o ombro esquerdo e levado sobre o braço esquerdo.
É batido com ambas as mãos e produz uma variedade incrível
de sons, utilizando a cobertura (que pode ser feita de pele de
cabra, bezerro ou peixe) ou a moldura. O corpo do instrumento é
feito tradicionalmente de argila queimada. Desde meados dos anos 80,
a cobertura de pele foi substituída por plástico, e o corpo passou
a ser feito em alumínio, tornando-se esta versão a preferida da
maior parte dos músicos. Este seria o principal instrumento de
percussão da música árabe.
Daff
Este
é o "pandeiro árabe" (cujo pronúncia é dâff). É
formado por uma moldura de madeira (de 8.5 polegadas de diâmetro e
2.5 polegadas de profundidade) revestida de madrepérola, com cinco
conjuntos de címbalos (com 2.25 polegadas de diâmetro) colocados
simetricamente ao redor da moldura, e coberto por uma membrana de
pele (os de melhor qualidade utilizam pele de novilho ou de peixe).
No final dos anos 80, um pandeiro feito de moldura de alumínio e
coberto com plástico foi criado, e imediatamente adotado pela
maioria dos músicos. No início dos anos 90, uma versão com
moldura de madeira e cobertura de plástico foi introduzida (protótipos
deste modelo existem desde os anos 70). Apresenta uma variedade de
sons, que incluem a vibração completa (todos os címbalos vibrando
juntos), a vibração parcial (um conjunto de címbalos vibrando
isoladamente), e o toque sem vibração (nenhum címbalo vibrando).
Na primeira metade do século XX era comum a utilização do duff
como instrumento solo. Com o início da utilização do Derbak e dos
bongôs na segunda metade do século XX, os músicos tiveram que
desenvolver técnicas que enfatizassem o som dos címbalos, em vez
do som da membrana, para destacar o pandeiro e não duplicar o som
de outros instrumentos de percussão.
Snujs
Pequenos
címbalos metálicos, tocados com os dedos (um par em cada mão).
Violino
Instrumento
europeu que foi adotado pela música Árabe no século XIX. No século
XX ele já havia tomado o lugar da antiga rabeca de ponta de ferro,
passando inclusive a usar o seu nome: kamanja ou kaman. A quantidade
de músicos violinistas nas orquestras Árabes também aumentou
desde a primeira metade do século XX: no início era apenas um, e
hoje em dia, nas grandes orquestras, utilizam-se 12 ou mais.
Violoncelo
Quando os múltiplos violinos foram introduzidos nas orquestras árabes,
na primeira metade do século XX, o violoncelo também também
passou a ser utilizado. Na segunda metade do século XX tornou-se
comum nas grandes orquestras a utilização de pelo menos três
deles.
Zâmr
Instrumento
de sopro semelhante a uma corneta.
Alaúde
Seu nome vem do árabe Al-'Ud (cujo plural é "Udan"). Sua
origem remonta ao século VII. Possui uma forma de meia-pera com
"tiras de madeira, tem de 10 a 12 cordas, no passado, suas
cordas eram feitas de seda e tripas. Atualmente, as cordas maiores são
feitas de nylon, e as menores, de metal e seda. Nos tempos mais
antigos, a palheta utilizada para tocar as cordas era feita de pluma
de águia; atualmente, ela é feita de casco de búfalo ou de plástico.
É considerado tradicionalmente o principal instrumento da música
árabe, e ainda é muito utilizado.
Mr. Farmer em "O Legado do Islam (1931) escreveu:
"O legado do Islam para a Europa Ocidental em instrumentos
musicais foi de grande importância.
Houveram muitos tipos distintos Árabes introduzidos. Com esses
instrumentos vieram muitos benefícios. Menestréis Europeus,
prioritariamente devido ao contato Árabe, apenas tinham a citara e
harpa entre os instrumentos de cordas, e eles apenas tinham seus
ouvidos para lhes gruiar enquanto entoavam. "A origem do al-'ud
é um fato complexo de lidar. Há 6 teorias sobre a origem do
al-'ud: Uma diz que é originariamente Sumério, a segunda diz que
é Persa, a terceira que é Egípcia, a quarta que é Ariana, a
quinta que é Judia e a sexta que é Akkadia do antigo Iraque.A
palavra 'Ud vem da palavra árabe que denota madeira. Pinturas de
instrumentos tipo 'Ud foram descobertas em ruínas no antigo Egito e
Mesopotamia. Persas e Indianos o tocavam em tempos antigos.
Entretanto, foram os Árabes (durante a era Abbasid), que melhoraram
o 'Ud, chamaram-no assim e o passaram para o Ocidente.
Guitarra
O
Kithaar é um instrumento interessante dada a origem da guitarra de
dorso chapeado na Europa. Tem sido argumentado que a palavra
Espanhola guitarra (com t) é derivada do Árabe qitara, mais do que
do Grego kithara (Ki0apa) (com th). Parece que as palavras Árabes
qitara ou qithara, eram apenas usadas quando se lidava com o
instrumento Grego ou Bizantino, enquanto kaithaar era usado para o
instrumento Árabe . Henry George Farmer diz que "até
Al-ShalaHi diz que a palavra Kaithaar é pós-clássica. Ele denota
uma curta definição desta por Abu Bakr Al-Turtushi (d. 1126), que
diz que esse é "um instrumento de cordas." Mais
importante, entretanto, é um verso por Ibn Abd Rabbihi
(d.940)."Entre os instrumentos de cordas, está o Árabe
qanoon, que se tornou o Europeu Kanon, Canon e Canale no mesmo
tempo.
Qanoon
Uma cítara
trapezoidal, que é posicionada no colo do músico, ou em cima de
uma mesa especial, colocada em frente ao músico, que a tocará
sentado. Vinte e cinco ou 27 conjuntos de cordas são esticados, da
direita para a esquerda, sobre o instrumento (a maior parte destes
conjuntos têm três cordas). As cordas são tocadas com a ajuda de
duas pequenas palhetas presas aos dedos indicadores de cada mão.
Desde as primeiras décadas do século XV, pequenos reguladores
(chamados 'urab) são colocados na direção das cordas, no lado
esquerdo do instrumento, permitindo ao músico mudar o comprimento
das cordas, modificando assim a sua afinação. Isto facilita
enormemente a execução de modulações, que são mudanças de um
modo melódico para outro, coisa muito comum na música Árabe.
Antes da introdução destes reguladores, os músicos tinham que
pressionar o polegar ou a unha de algum dos dedos da mão esquerda
sobre um conjunto de cordas, para modificar a sua afinação. Um
detalhe importante deste instrumento é o seu "amplificador
natural": as cinco pernas do seu cavalete são colocadas sobre
cinco pedaços retangulares de pele de peixe esticados, que partem
da borda direita do instrumento.
Nota
Importante
Quatro teorias são propostas por escolares Árabes e Europeus a
respeito da origem do al-qanoon: Uma diz que al-qanoon é
originariamente Greek, outra indica que foi originado no antigo
Egito, a terceira diz que foi originado de um instrumento musical
retangular usado na antiga Assíria que tinha cordas paralelas no
topo de uma caixa sonora, e a quarta teoria diz que qanoon é
originariamente Indiano.Há varias teorias sobre a origem da palavra
qanoon também, entretanto, dados de uma utilização mais antiga da
palavra qanoon como um instrumento "acrodophone" durante a
era Abbasida, por volta do 10° século, foi mencionada nas estórias
das mil e uma noites.
Contrabaixo
Quando,
na metade do século XX, múltiplos violinos, e em seguida
violoncelos tornaram-se parte das orquestras árabes, os
contrabaixos foram também introduzidos, funcionando tanto na
melodia quanto na percussão. Geralmente, na música árabe, as
cordas são puxadas com a mão, e não tocadas com o arco.
Dohollah
ou Tabla grave
Semelhante
ao Derbak.
Mazhar
Pandeiro
bem largo.
Mijuez
Flauta confeccionada em bambu.
Outro instrumento de corda é al-SanToor.
A palavra al-SanToor
pertence a família de línguas Semitas; Árabe, Hebraico, Aramaico
e Amharico. No Torah ou Antigo Testamento, a palavra
"p'samterion" foi traduzida para o Grego como
"psalterim" e para o Latin tornou-se
"psalterium". Na tradução Árabe do Torah, a palavra se
tornou "SanTeer". Al-SanToor pertence a família dos
chrodofones e consiste de 72 (a 100) cordas. É trapezoide e tocado
com dois pauzinhos. É dito que sua origem é da Babilônia antiga
.Al-jawza é atualmente comum no Iraque. É um dos principais
instrumentos usados com o Maqaam. Al-jawza é chamado assim porque
é feito de Jawz Al-Hind ou Côco Indiano. Têm 4 cordas e uma caixa
sonora arredondada.Musicologistas Árabes são capazes de traçar
suas próprias formas folclóricas da tempo antigo dos Beduínos,
cujas caravanas musicais -the huda- animavam suas viagens desérticas.
Os outros dois instrumentos mais famosos usados na musica Beduína são
o naay e rababeh ou rebec.
Rababeh é um instrumento de uma corda
simples com uma caixa sonora quadrada tocado como um violino. O
rababeh foi levado para a Espanha pelos Árabes e distribuído a
partir dela para a Europa com o nome rebec. É usualmente referido
que Al-Farabi (10° século) foi o primeiro a mencionar o rababeh.
Entretanto,Ali de Isphahan mencionou que o rababeh era usado na
corte de Baghdad 2 séculos e meio antes disso. Esse instrumento é
cotado como como um dos precursores do violino Europeu. O medieval
xelami é na verdade o Árabe Zulami. Um instrumento inventado em
Baghdad no começo do século nono. A exabeba era uma pequena flauta
lembrando a Árabe Shabbabe ou Al-naay. Al-naay é um termo Persa.
Palavras Árabes para o mesmo instrumento podem ser beQaSaba,
Shabbabe ou minjara. Al-naay é uma flauta vertical e um dos
instrumentos mais antigos empregados na música Árabe. É apenas um
simples tubo aberto feito de cana de açúcar onde o
instrumentalista sopra diagonalmente através da abertura. Os
"cachimbos de vento" ,flautas simples, datam de antes da
idade da Pedra e foram achados em todo hemisfério ocidental em
tempos antigos.
Al
- Naay
É uma
flauta de junco, aberta dos dois lados, com 6 orifícios. Quando
tocado, a ponta oposta à que está na boca fica voltada para baixo,
obliquamente ao lado direito do corpo do músico. Um mesmo músico
utiliza 6 ou 7 nays de diferentes comprimentos, para tocar em
diferentes alturas. O junco com o qual o instrumento é construído
deve possuir 9 segmentos, portanto deverá ser escolhido um pedaço
de junco que tenha 8 nós (ou juntas) naturais. Este instrumento
data de um período bastante remoto. O Nay tem associações filosóficas
e místicas, nas quais ele é associado ao corpo humano: ambos
precisam do sopro da vida para se tornarem ativos. De acordo com
estas crenças, o som do Nay pretende expressar a ânsia do homem em
unir-se a Deus. Este instrumento também existe na música turca e
persa, onde foram acrescentadas peças para encaixe da boca. Na
Turquia, esta peça é feita de madeira ou chifres, e no Irã ela é
feita de metal. Geralmente, seu som se assemelha a um longo apito.
Atualmente,
utiliza-se com freqüência instrumentos eletro-eletrônicos, como
guitarras e diversos modelos de teclados especiais para a execução
de músicas orientais. A utilização destes instrumentos modernos
na música do Oriente Médio depende da sua capacidade de executar
as notas "extras", utilizadas na música árabe.
Com
a
introdução dos sintetizadores controlados por computador (chamados
org no mundo árabe), os músicos podem interpretar de forma
bastante sofisticada todas as variações de afinação, da mais
grave à mais aguda, bem como alterar timbres e utilizar efeitos
especiais (tais como o som que imita o Zágarit). Tudo isto levou o
org a ser o instrumento melódico que mais se destacou na música Árabe
popular nas últimas décadas do século XX, acompanhado com certeza
com uma bateria, que atualmente também é muito usada na música árabe.
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