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"Brasilibaneses"

 

 

Os libaneses deixaram sua pátria, particularmente no fim do seculo XIX, dominada por um exército inimigo, em busca de paz, de liberdade e de  melhores condições de vida.

 

Os imigrantes chegaram principalmente no porto do Rio de Janeiro e de Santos e como era uma imigração expontanea e não organizada opelo governo, os árabes, maioria sírio e libaneses, espalharam por todos os recantos do Brasil, dificilmente no Brasil encontra-se uma cidade ou vilarejo que não tenha um árabe presente, pois em suas andncas como mascates tornaram se verdadeiros “ bandeirantes” e Maringá teve também seus pioneiros árabes e que estão ate hoje contribuindo com desenvolvimento da cidade e região, incialmente através da mascateação, depois comercio lojista e os filhos estudaram e hoje ocupam diviersas profissões na sociedade maringaense.

 

Apesar da paixão pelo Brasil os imigrantes guardaram a nostalgia de um dia voltarem a ver seu país de origem, como expressa um imigrante libanês:

 

"saímos do Líbano e espalhamo-nos por todos os ventos, em todas as regiões conhecidas do universo... mas os emigrantes partem com a intenção de voltar para morrer nas Montanhas, que nós amamos por tudo que nossos pais derramaram de suor e sangue...".

 

Muitos não conseguiram realizar o sonho de voltarem e rever os seus seres amados e faleceram nas terras que os conquistaram; outros puderam, enfim, rever o país dos Cedros, suas famílias e depois retornaram ao Brasil; outros retornaram e permaneceram no Líbano por motivos familiares (1)

 

O retorno dos libaneses ao Líbano, felizmente não foi, como a viagem de vinda, em condições  subumanas em porões de navios, mas sim em navios mais confortáveis e em aviões, muitos com uma situação econômica mais favorável após anos de labuta em terras brasileiras, o que faz justiça às palavras do  imperador Dom Pedro II que, durante de sua passagem pelo Líbano em 1876, disse:  "Desejo ver no Brasil o maior número possível de filhos do Líbano e prometo toda proteção e asseguro que voltarão prósperos e felizes".

 

Os emigrantes libaneses que voltaram  formaram uma grande colônia "brasilibanesa" no Líbano, principalmente no Vale do Bekaa, região da qual saíram a maioria dos emigrantes libaneses para o Brasil, principalmente da cidade e povoados de Zahle,  Sultan Yacoub, Kemed Lauz, Ghazzé, Jib Janine, Al-Manara, Rachaya, Karaun, Kfardines, Bire (destas duas ultimas cidades grande parte imigraram para Maringá e são “maringalibaneses” com orgulho), Baalbeck, Hadeth Baalbeck, etc.; da região do Norte do Líbano: Trípoli, Miziara, Dar al Bashtar, Zghorta, Aden, Becharre, Tannurine, Batrun, Akkar, etc,; da região do  Monte Líbano: Byblos, Ghosta,  Falugha, Aley, Khalde, Der al-Kamar, Burj Barajneh, etc.;  da região do Sul do  Líbano: Sidon, Tiro, Nabatieh, Marjeyun, Juaiya, Jezzine, Hasbaya, etc. e da capital, Beirute. Rara é uma cidade ou vilarejo que não tem filhos no Brasil.

 

Estes emigrantes que retornaram, libaneses e brasileiros (na maioria mulheres casadas com libaneses) e duplo-nacionais (filhos de libanês com brasileira),  trouxeram com eles costumes brasileiros, o idioma português e uma boa situação econômica e acabaram por desenvolverem suas regiões no Líbano,  abrindo comércio, indústrias, construções civis, .... Em um breve espaço de tempo, a  "Comunidade de brasilibaneses" passou a se destacar no país dos Cedros ao ponto de fazer do Brasil, país tão distante geograficamente, um dos países melhor conhecidos no Líbano, visto que muito dos que retornaram    continuaram  unidos ao Brasil através de laços familiares, negócios, importações e exportações e, com a facilidade atual de transporte, podem dirigir seus negócios nos dois países. Quase nao percebe nomes brasileiros, pelo fato da maioria serem mulheres casadas com libaneses, mas olhando o nome completo existem muitos sobrenomes, como : Ribeiro, Silva, Souza, Barros, Monteiro, etc

 

Os imigrantes trabalhavam duro no Brasil  e enviavam dinheiro para seus parentes no Líbano, levando o  professor  Phillip  Hitti a escrever: "Em Zahle no ano 1885 havia somente um prédio de tijolos, a igreja. Um quarto de séculos depois, praticamente só existia casas de tijolos e uma das suas principais avenidas fora batizada com o nome Brasil...Dificilmente hoje uma vila ou cidade do Líbano não é capaz de exibir uma casa coberta com telhas vermelhas, construída com dinheiro vindo do exterior" (2)

 

A primeira leva de retorno de libaneses para o Líbano  foi a partir de 1920 quando o Líbano e a Síria passaram  sob Mandato francês proclamando  o "Estado do Grande Líbano" e, em 1926, quando nasceu  a "República do Líbano". As reformas e mudanças no pais levaram muitos libaneses-brasileiros a retornarem a sua terra natal.  Ghanem mesmo exagerou quando escreveu, em 1936, que nos anos

vinte, 70% dos habitantes de Zahle falavam o português por já terem estado no Brasil...(3)

 

 

Com o crescimento da comunidade  de cidadãos duplo-nacionais, brasileiro-libaneses, o Brasil  abriu, por volta de 1930, uma missão  diplomática em Beirute, que foi elevada a Embaixada em 1954 (o mesmo aconteceu com a missão diplomática libanesa no Brasil) : Em 2005 abriu o Consulado Geral do Brasil no Libano, devido as reclamacoes da colonia brasileira que era mal atendido numa gestao diplomatica que causou escandalos de varios niveis. O Brasil com um forte contigente de libaneses    aos poucos as relações entre os dois países se desenvolveram com assinaturas de convênios, tratados, acordos, visitas oficiais...(4) e hoje o pavilhão verde-amarelo encontra-se também espalhado em todo território libanês e rara é uma cidade, povoado, família que não tenha ligação com o Brasil. Existem varias cidades que seus habitantes falam a língua portuguesa ao lado da língua árabe, como por exemplo Kfardines, Bire, entre outras do Vale do Bekaa, se fala o protugues do norte do Paraná, proprieamente de Maringá. Existe mesmo  cidades onde 90%de seus habitantes falam fluentemente a língua portuguesa, como por exemplo, Sultan Yacoub no Vale do Bekaa. Isto faz com que o brasileiro, no Líbano, não seja uma pessoa estranha, mas uma pessoa da família e chega-se a pensar que o Brasil faz fronteira com o Líbano vista a proximidade que existe entre as relações humanas dos dois povos. Hoje encontra-se um pedaço do Brasil no Líbano, assim como outro do Líbano no Brasil, e são vários os duplo-nacionais que, atuando nas diversas atividades do país, aplicam  experiências aprendidas no Brasil. Os brasilibaneses estao em varias areas profissionais, entre eles : ex-governador do Líbano sul e atualmente Deputado Faysal Sayegh; ex-Ministro e Deputado Abdel Rahim Murad; Presidente de um partido libanes, Carlos Edde;  escritor e historiador marigaense Roberto Khatlab; Advogado e proprietario da maior biblioteca particular do Libano, Phares Zoghbi; Xeque Abdel Nasser al-Khatib nascido em Jandaia-Pr, etc… Estes são os  libaneses de coração verde-amarelo, que sentem orgulho de guardar as duas tradições : a libanesa e a brasileira.

 

O Líbano, apesar de ter passado por uma guerra civil ravajante e no momento outra guerra que em 34 dias destruiu quase totalmente seus 15 anos de reconstrucao, mesmo assim o Libano continua a ser um país hospitaleiro. A partir do final da guerra civil, em 1990, o pais encontrava-se em plena reconstrução, um país que retomava seu caráter de porta do Oriente, um país turístico e uma terra Santa para todas as religiões. Libano, um    pequeno país, que é um verdadeiro museu a céu aberto, onde cada metro é fruto de uma época histórica e onde várias civilizações mediterrâneas implantaram suas características. Visitar o Líbano é fazer um retorno ao tempo, uma viagem a mais de cinco mil anos de história num pequeno espaço: esta é a singularidade da terra dos cedros no Oriente Médio, que é conhecida através de relatos e contos contados de pais a filhos e que, ultimamente,  fazem parte da realidade brasileira, onde as duas culturas já estão misturadas, onde o quibe e o feijão fazem parte da mesma mesa. O Libano, como o Fenix, renascera em breve novamente de suas cinzas, uma pais que contem um povo dinamico, onde aproximativamente 10 mil individuos brasilibanes fazem parte de sua populacao ativa, um pais no Oriente medio que fala tambem a lingua portuguesa.

 

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(1)  Segundo previsões estatísticas, somente 3% dos libaneses do Brasil retornaram ao Líbano, enquanto que de outros continentes: Europa 40% e África 70%. Isto mostra a integração dos libaneses na terra que adotaram como segunda pátria.

 

(2) Hitti, Phillip - Lebanon in History: from the Earliest Times to the Present. New York, Macmillan 1967, p.p. 474-476

 

(3)  Ghanem, Sadalla Amin, Impressões de viagem (Brasil-Líbano), Niterói, Graphica Brasil, 1936, p. 83

 

(4) Khatlab, Roberto, Brasil-Líbano, amizade que desafia a distancia, editora EDUSC, Sao Paulo, 1999, traduzido em arabe Editora Dar al-Farabi, Beirute, 2000.

 

Fonte:  Khatlab, Roberto – Mahjar, Saga Libanesa no Brasil (portugues-arabe), Editora Mukhtarat, Beirute, 2002 e Lebanese Migrants in Brazil. Na Annotated Bibliography, Ed. Notre Dame universite NDU-Preess. Líbano, 2005.


   

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