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O que é intifada e como ele começou?



A intifada (palavra árabe que significa "sacudir") é uma revolta popular dos palestinos habitantes dos territórios ocupados por Israel desde a guerra de 1967. Essa rebelião teve início nos últimos anos da década de 80 e se manteve sem interrupção até a assinatura dos tratados de paz com Israel no início dos anos 90. Depois, com o fracasso do processo de paz, foi retomada em 2000.

Como é uma ação entre população de um território ocupado (os palestinos) e as forças de um Estado (Israel), não é uma guerra formal entre dois Estados soberanos, mas teve tanto impacto político na região como qualquer conflito convencional.

Em 6 de Dezembro de 1987, seis trabalhadores palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, atropelados por um caminhão conduzido por um israelense. Os palestinos convenceram-se de que o incidente foi um crime deliberado e três dias mais tarde, um jovem palestino apanhou uma pedra do chão e atirou-a contra uma patrulha israelense. Os jovens que o acompanhavam seguiram o exemplo, numa atitude que se espalharia pelos manifestantes palestinos durante vários anos.

Foi desta forma que teve início a intifada - a revolução das pedras. Os intelectuais palestinos apropriaram-se da palavra para explicar que a sua juventude tentava sacudir-se, ou sacudir 20 anos da humilhação do controle israelense sobre seu território.

O levante espontâneo nos territórios ocupados, após 20 anos de controle israelense, foi uma grande surpresa, inclusive para a própria liderança palestina (que então vivia no exílio). Palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza passaram uma geração inteira sob domínio israelense, e apesar de alguns confrontos isolados, o domínio israelense raramente havia sido desafiado em massa. A nova geração acabaria alterando esta situação. Barricadas foram erguidas por todos os territórios, pneus foram queimados e a bandeira palestina, ilegal, passou a ser vista com frequência nas áreas de intensa atuação da intifada.

As autoridades israelenses foram igualmente pegas de surpresa, sem saber como reagir. Era difícil classificar um movimento popular como trabalho de "terroristas". Alguns líderes políticos aconselharam Israel a se retirar mas a postura linha dura dos israelenses de direita acabou prevalecendo.

Os israelenses fecharam universidades, deportaram manifestantes, demoliram casas palestinas - sem qualquer resultado. Para cada notícia na televisão relatando um incidente ocasionado pela reação violenta das autoridades israelenses, os palestinos ganhavam mais destaque internacional, enquanto Israel perdia credibilidade.

As baixas foram consideráveis. Cerca de 1.300 palestinos perderam a vida, incluindo 300 crianças, durante essa primeira fase da intifada. Mas o levante popular conseguiu, no entanto, despertar a atenção da comunidade internacional para tentar chegar a uma solução pacífica para o conflito, um processo que culminaria com o tratado de Oslo, assinado em 1993.

Como começou a segunda Intifada? Quais foram as consequências?

Esta nova fase do longo conflito da região iniciou em outubro de 2000, quando o general aposentado Ariel Sharon, um dos líderes do partido de direita Likud, realizou um ato de provocação com uma visita não autorizada à esplanada das mesquitas, em Jerusalém. Embora seja localizada dentro de Jerusalém, cidade sagrada que Israel reivindica como capital de seu país (não reconhecida pela comunidade internacional), a esplanada é sede dos templos muçulmanos mais importantes fora de Meca (na Arábia Saudita).

Por isso, é administrada pelos líderes religiosos muçulmanos, que têm autonomia para controlar o lugar, determinam quem pode entrar no local. O governo israelense sempre respeitou isso. As mesquitas da esplanada foram construídas sobre os alicerces do antigo templo construído pelo rei Salomão (destruído pelos romanos no século 1 depois de Cristo). O muro das Lamentações, local sagrado para os judeus, é um pedaço do alicerce, que sobreviveu à dstruição. Fica, portanto, embaixo das grandes mesquitas.

Sharon é odiado pelos palestinos por ter sido sempre associado a violências contra comunidades árabes em conflitos (na guerra de 1973, na invasão do Líbano em 1982), inclusive os massacres a dois campos de refugiados palestinos no Líbano (Sabbra e Chatila), em 1982.

Quando Ariel Sharon resolveu desafiar as regras impostas pelo governo de Israel e pelas autoridades religiosas muçulmanas, ele forçou a falência do processo de paz, que atravessava uma crise logo depois de o então primeiro-ministro Ehud Barak oferecer aos palestinos a devolução dos territórios ocupados, inclusive a área oriental de Jerusalém (maioria muçulmana).

Sharon era um líder do Likud no ostracismo e o mais forte líder de seu partido era Benjamin Netaniahu. A provocação fez renascer a intifada, radicalizou a posição palestina, enfraqueceu Barak e Netaniahu, ao mesmo tempo, tornando Sharon o candidato mais forte à eleição de premiê, o que de fato se confirmou nas urnas.

Nas eleições de fevereiro de 2001, os trabalhistas foram derrotados, sendo Sharon eleito primeiro-ministro, com o Likud (partido de direita) liderando um governo de coalizão com os trabalhistas e partidos religiosos. O já desgastado processo de paz foi bloqueado.

Evidentemente, Sharon, considerado pelo próprio parlamento israelense como responsável pelos massacres de Sabbra e Chatila, aplicou uma linha dura com a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Os alvos visados, inicialmente, foram as forças de segurança da ANP, na inútil suposição de que Arafat recuaria.

Mas as retaliações contra as ações palestinas, as restrições à cobertura da imprensa e a recusa à proposta da ONU de enviar observadores desarmados criaram constrangimentos internacionais ao governo israelense.

Do lado palestino, a estratégia tem sido a de criar insegurança aos colonos israelenses nos territórios ocupados, bem como às tropas de ocupação, através da ação de franco-atiradores e de atentados suicidas. Esta estratégia pretende demonstrar que o custo da manutenção da tranqüilidade pode ser altíssimo para os israelenses, e é mais ou menos orientada pela ANP. Por outro lado, a ação de grupos contrários ao processo de paz e à ANP, como o Hamas, que promove atentados suicidas em Israel ou postos militares, e que independe da coordenação de Arafat, acabam complementando, indiretamente, a estratégia palestina. Israel revida com bombardeios, assassinatos de militantes e demolição de residências, além de ocupar temporariamente territórios da ANP. A segunda intifada já deixou 1.130 palestinos e 398 israelenses mortos, segundo balanço da agência de notícias Reuters feita até o início de abril.

Palestina é um país ou uma região?



Palestina é uma região do Oriente Médio que engloba as localidades onde ocorreram os fatos descritos no Novo Testamento cristão, a chamada Terra Santa. Seu nome vem dos Filisteus (os ancestrais dos atuais palestinos), povo que depois da conquista dessa região pelos árabes, no século 7 depois de Cristo, se arabizou, ou seja, adotou a cultura árabe.

Esse território desde a conquista romana (pouco antes do nascimento de Cristo) nunca foi independente, sendo sempre uma província ou uma região apenas. Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU decretou a criação de dois países, um dos judeus e outro dos palestinos. Mas os países vizinhos árabes alegaram que não aceitavam a criação de Israel e invadiram a região em 1948, em uma guerra que terminou vencida por Israel.

Os árabes, apesar de perderem a guerra, tomaram para si (Jordânia e Egito) territórios que eram destinados à Palestina. Israel também ampliou seu território. Com isso, o território que a ONU destinou em 1947 aos palestinos passou a ser controlado por Israel, Egito (Faixa de Gaza) e Jordânia (a Cisjordânia ou Margem Oeste do rio Jordão). Em 1967, esses países guerrearam novamente e Israel conquistou os dois territórios, que passaram a ser chamados de "territórios ocupados".

Os acordos de paz dos anos 90 atribuíram à Organização para Libertação da Palestina (liderada por Yasser Arafat) o controle parcial sobre esses territórios (Faixa de Gaza e Margem Oeste do rio Jordão), através de uma entidade chamada Autoridade Palestina (que funciona como um embrião de governo).

A Autoridade Palestina reivindica a formação de um Estado Palestino, que Israel se recusa a aceitar. Portanto, a Palestina é uma região e pode vir a se tornar um país. Quais as regiões ou territórios que compõem a atual Palestina?

A Palestina é uma região geográfica que compreende os territórios entre a margem oeste do rio Jordão e o mar Mediterrâneo, ao sul do Líbano e a nordeste da península do Sinai. Dentro dela estão hoje o Estado de Israel e as áreas ocupadas militarmente por Israel na guerra de 1967: a chamada Faixa de Gaza (no litoral do Mediterrâneo) e a Cisjordânia (entre o rio Jordão e Jerusalém).

O nome Palestina vem do povo filisteu, que habitava essa região em tempos bíblicos (até hoje, em árabe, a palavra se pronuncia mais ou menos “filistin”). Em 1948, a ONU dividiu essa região geográfica em dois territórios autônomos, um para os judeus e outra para os palestinos, o povo arabizado que habitava a região. Vários países árabes reagiram contra a criação do Estado de Israel e houve uma guerra, na qual o vencedor, Israel, ampliou seu território e os vizinhos Egito e Jordânia anexaram áreas reservadas ao Estado palestino (a Faixa de Gaza, ficou para o Egito; o território entre o rio Jordão e Jerusalém, denominado Cisjordânia, ficou para a Jordânia).

Na guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias), Israel tomou essas duas áreas, que passaram a ser chamadas de “Territórios Ocupados”. Nos anos 90, como fiadores do processo de paz entre palestinos e Israel, Egito e Jordânia abriram mão do direito aos territórios, que estão hoje sob um regime de autonomia relativa da Autoridade Palestina (cujo líder é Iasser Arafat).

Os palestinos querem transformar esse território em um Estado Palestino e por isso, muitos jornalistas e políticos já têm usado a expressão Palestina para se referir só às áreas destinadas à Autoridade Palestina.

Os palestinos e os israelenses, são todos um "povo só"?

O patriarca longínquo dos dois povos é o mesmo: Abraão (ou Ibrahim, em árabe). Ele casou-se com Sara com quem teve o filho Isaque (que seria o ancestral dos judeus). Com uma escrava, teve o filho Ismael, que seria o ancestral dos árabes. Mas fora essa proximidade arcaica, são dois povos diferentes há milhares de anos.

Religiosamente, os palestinos são muçulmanos em sua maioria? Eles são um povo com influência árabe ou são árabes?



A maioria dos palestinos professa a religião muçulmana. Mas há também palestinos cristãos.



Qual é o motivo do conflito entre israelenses e palestinos? Israelenses são judeus, e palestinos são muçulmanos?



Dentro do território que a ONU destinou aos judeus na Palestina (e também nos territórios que Israel conquistou na guerra de 1948), existem árabes e judeus. Como o país se chama Israel, os cidadãos são israelenses.

A maioria deles é de judeus (4,5 milhões) e cerca de 1,5 milhão são árabes. Há também diversas outras minorias. Assim, há muitos cidadãos israelenses que não são judeus. Na Palestina, tanto dentro de Israel como nos territórios vizinhos de Gaza e Cisjordânia (ocupados por Israel em 1967) há uma maioria de palestinos (descendentes dos filisteus mencionados na Bíblia) que por sua vez são em maioria de origem muçulmana (há palestinos cristãos também).

O conflito se deve à disputa pelo controle da região pois depois de séculos sob controle de potências estrangeiras, durante a metade do século 20 os palestinos lutavam por independência (sob hegemonia palestina) e os judeus também (sob hegemonia judaica). Ao decidir "salomonicamente" (dividindo a terra em duas partes) em 1947, a ONU em vez de acabar com o conflito o agravou.

É verdade que com a criação do Estado de Israel na Palestina, muitos palestinos perderam propriedades que foram entregues a assentamentos de judeus, sem nenhuma indenização?

Sim, é verdade. O governo israelense fez desapropriações forçadas em áreas ocupadas por árabes, inclusive dentro de Jerusalém.

Por que os palestinos (e vários vizinhos) têm tanto ódio dos EUA?

Como sempre, não devemos generalizar. Existem palestinos vivendo há décadas nos EUA e outros que vivem bem em Israel. Mas a reação da maioria, contra os EUA, se deve ao apoio dos Estados Unidos a Israel, na maioria das questões.

Por que os EUA apóiam Israel?

Uma primeira causa desse apoio: os Estados Unidos têm a maior comunidade judaica no mundo, maior do que toda a população do Estado de Israel, com mais dinheiro do que todo o Estado de Israel. Assim, não erra quem disser que o verdadeiro país dos judeus, desde o início do século 20, são os Estados Unidos.

O Israel que conhecemos hoje, desde 1948, é um projeto do sionismo (uma ideologia criada no fim do século 19 por alguns judeus em reação à perseguição de judeus em diversos países do mundo, que dizia que os judeus só deixariam de ser perseguidos quando tivessem seu próprio país).

Ele se concretizou por decisão da ONU em 1947, pressionada pelos EUA e por diversos países europeus, em grande medida como uma forma de compensar e evitar um Holocausto como o cometido por alemães (e não só, mas também croatas, franceses, poloneses, italianos, tchecos, húngaros, búlgaros etc.) durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, os Estados Unidos apóiam Israel por serem, também, um país de judeus.

Uma segunda causa: Israel é a única democracia de todo o Oriente Médio, cercado por monarquias absolutistas, teocracias ou regimes autoritários por todos os lados, cada um deles com vínculos tradicionais com potências européias e, por razões diversas, com a Rússia. Durante toda a Guerra Fria, Síria, Egito, Iraque e Líbia, por exemplo, tinham vínculos diretos com a Rússia comunista.

Ao final da Guerra Fria, o Egito buscou apoio americano (e para isso, fez a paz com Israel), mas Iraque, por exemplo, continua ligado à Rússia apesar de esta deixar se ser comunista. Assim, durante toda o período da Guerra Fria, o único país alinhado diretamente às diretrizes norte-americanas na geopolítica regional era Israel.

Esses vínculos tradicionais predominam mesmo perante divergências (que não são poucas) entre os dois países e também perante os vínculos novos dos Estados Unidos com outros países da região, como Egito, Arábia Saudita e Kuwait.



Como foi a Guerra dos Seis Dias?




A partir de 1959, com a criação do Al Fatah, começam a surgir ataques terroristas palestinos às instalações israelenses judaicas. Cada ataque era respondido com uma retaliação israelense, muitas vezes maior que a investida sofrida e nem sempre dirigida especificamente contra os atacantes.

A tensão na região se torna crítica em 1966, quando a Síria passa a dar apoio aos guerrilheiros palestinos.

Em abril de 1967, Israel, fortemente armados pelos EUA, tomam a iniciativa do ataque. A Força Aérea israelense ataca a Jordânia e, no mês seguinte, o Egito coloca suas Forças Armadas em alerta.

O pretexto é a intensificação do terrorismo palestino no país e o bloqueio do Golfo de Ácaba pelo Egito - passagem vital para os navios de Israel. O plano traçado pelo Estado-Maior israelense, chefiado pelo general Moshe Dayan (1915-1981), começa a ser posto em prática às 8 horas da manhã do dia 5 de junho de 1967.


O presidente Nasser ordena a retirada das tropas da ONU do Egito e desloca divisões egípcias, ocupando o golfo de Ácaba e bloqueando o porto israelense de Eilat, que recebia suprimentos petrolíferos do Irã.


Simultaneamente, forças blindadas israelenses investem contra a Faixa de Gaza e o norte do Sinai. A Jordânia abre fogo em Jerusalém e a Síria intervém no conflito.

Mas, no terceiro dia de luta, o Sinai inteiro já está sob o controle de Israel. Nas 72 horas seguintes, os
israelenses impõem uma derrota devastadora aos adversários, controlando também a Cisjordânia, o setor oriental de Jerusalém e as Colinas de Golã , na Síria.

A resolução da ONU de devolver os territórios ocupados é rejeitada por Israel. Israel amplia seu território para 89.489 km2. Como resultado da guerra, aumenta o número de refugiados palestinos na Jordânia e no Egito. Síria e Egito estreitam ainda mais as relações com a URSS, renovam seu arsenal de blindados e aviões, e conseguem a instalação de novos mísseis perto do Canal de Suez .

Como foi a Guerra do Yom Kippur?

Na década de 70, as tensões entre árabes e israelenses chegam mais uma vez ao limite. Regimes nacionalistas, influenciados por Nasser, passam a governar o Sudão, com o general Nimeiry, e a Líbia , com o coronel Gadafi. Na Síria, Hafez al-Assad assume o poder em 1971, e iria se tornar um dos personagens centrais da política no Oriente Médio nos anos seguintes.

O novo presidente do Egito, Anuar Sadat, queria recuperar os territórios perdidos para Israel. Assim que ele assumiu o poder, deu indícios de que estaria disposto a negociar com os israelenses, desde que não houvesse exigência de um acordo final de paz, o que de certo colocaria todo o mundo árabe contra ele. Não houve acordo com a primeira-ministra israelense, Golda Meir, e Sadat se convenceu de que a única forma de recuperar Gaza e o Sinai (perdidos durante a Guerra dos Seis Dias) seria impor uma derrota, ainda que parcial, a Israel.

Chegou o dia do Yom Kippur, em 6 de outrubro de 1973, quando os judeus dedicam-se às práticas religiosas. O comando militar árabe escolheu a data com cuidado.

A sociedade israelense estava relaxada, os soldados rezavam ou aproveitavam o feriado com as famílias. O ataque começou às 14 horas, cercado do mais absoluto segredo, e Israel foi apanhado de surpresa. Os primeiros dias da guerra foram fáceis para o lado árabe.

Sadat, que pensou que perderia cerca de 10.000 homens, só perdeu 208. O contra-ataque de Israel encontrou a resistência das baterias egípcias de mísseis. Tudo parecia tão fácil que Sadat começou a avançar rápido demais, perdendo a cobertura dos mísseis antiaéreos, dando chance para que Israel restabelecesse o domínio do espaço aéreo. Alguns dias mais tarde, acontecia no Sinai a maior batalha de tanques da história.

Num movimento ousado, as tropas israelenses cruzaram o canal de Suez, isolando as forças egípcias que haviam lançado o ataque.

Em seguida, Israel volta-se para os sírios, que contavam com a ajuda de jordanianos, iraquianos, marroquinos e sauditas. À custa de perdas enormes, o avanço sírio foi detido e uma contra-ofensiva pôs em cheque a capital síria, Damasco. Duas semanas após o ataque, Sadat enviava uma carta a Hafez al Assad onde dizia estar preparado para aceitar um acordo de cessar-fogo. Logo depois, foi a vez dos sírios de pedirem o fim das hostilidades.

Sob a interferência dos Estados Unidos, da União Soviética e da ONU, foram feitos acordos de cessar-fogo em 1973, 1974 e 1975.

Em 1973, a Questão Palestina ganha destaque internacional após a Guerra do Yom Kippur e o petróleo começa a ser usado como arma pelos Estados árabes quando a OPEP boicotou o fornecimento aos países que apoiavam Israel. O aumento dos preços, detonado pela guerra, gerou uma crise mundial que derrubou bolsas de valores de todo o mundo e causou inflação em vários países.

Ao mesmo tempo, Arafat começa um trabalho diplomático, conseguindo com que a então OLP (Organização para a Libertação da Palestina) fosse reconhecida como legítima representante do povo palestino e admitida na ONU como membro observador.

O que é o grupo Hamas?



O Hamas, uma abreviação de Harakat al-Muqawama al-Islamiyya - Movimento de Resistência Islâmica, surgiu como uma alternativa à OLP - Organização para a Libertação da Palestina, durante a revolta palestina de 1987 (Intifada) contra a ocupação israelense.

O grupo desafiou a posição da OLP como força política exclusiva e única representante legítima do povo palestino. O Hamas também se opôs ao nacionalismo secular da OLP e ao programa político para um estado palestino e um território nacional, apropriando-se do discurso palestino original, dos objetivos e meios estratégicos historicamente identificados com a OLP, e colocando-os em um contexto e significado islâmicos. Invocando uma visão nacional-islâmica e um ativismo comunitário, o Hamas foi capaz de combinar doutrina religiosa com preocupações cotidianas.

O Hamas é uma organização extremista islâmica que se opõe aos acordos de Oslo de 1993 sobre a autonomia palestina, e responsável pelos atentados antiisraelenses mais sangrentos dos últimos anos.

O Hamas preconiza a luta armada contra Israel até a criação de um Estado islâmico em toda a Palestina, com a inclusão de Israel.

Seu braço armado, o grupo Ezzedin al Kassam, nome de um militante nacionalista árabe que combateu na palestina antes da criação do Estado de Israel em 1948, assumiu, em 1997, dois atentados suicidas em Jerusalém que causaram 21 mortos.

Em fevereiro e março de 1996, o Hamas praticou três dos quatro atentados suicidas que deixaram mais de 50 mortos em Israel, bloqueando o processo de paz e contribuindo para o retorno da direita nacionalista no poder.

O movimento preconiza a Jihad (a guerra santa) e afirma que "todo judeu e todo colono (judeu) é um alvo e deve ser morto".

Além de suas operações militares, o Hamas, que, segundo as autoridades israelenses, beneficiou-se do apoio financeiro do Irã, realiza numerosas atividades sociais nos territórios, o que o ajuda a assegurar sua influência.

Em nível político, o Hamas é o principal movimento de oposição à Autoridade Palestina de Yasser Arafat. No entanto, os vínculos entre a Autoridade e o Hamas melhoraram consideravelmente desde o início da segunda Intifada, o que provocou um fenômeno de união na sociedade palestina.

O fundador e diretor espiritual do movimento, xeque Ahmad Yassin, paralítico de nascimento, foi libertado em 1997 por Israel depois de oito anos na prisão, tendo sido devolvido a Gaza, onde retomou suas atividades políticas.


Qual a principal atividade econômica da região da Cisjordânia? Essa região é rica em petróleo e água?

Não, a Cisjordânia não é uma região rica em termos de petróleo ou recursos minerais. A principal atividade econômica sempre foi a agricultura e a pecuária, além do comércio. No entanto, o turismo, hoje, é uma indústria fundamental para a área (em tempos de paz, pois hoje está em crise profunda).

É banhada pelo rio Jordão, que cruza a Palestina de norte (no Mar da Galiléia) a sul (o Mar Morto) e que é importante para a região por ser a garantia de água em uma região muito seca.

A Cisjordânia de hoje é uma das regiões ocupadas pelos judeus nos tempos bíblicos. Então, o túmulo de Abraão, Isaque e Jacó, por exemplo, está na cidade de Hebron (Cisjordânia). Por isso, os religiosos hebraicos reivindicam que também essa região seja controlada pelo Estado de Israel. Já os muçulmanos (que cultuam os mesmos patriarcas e se consideram descendentes de Ismael, irmão de Isaque), também se consideram habitantes tradicionais dessa mesma região e portanto não admitem o controle judaico sobre a região.

Qual é o valor estrátegico e econômico da Faixa de Gaza, disputada por palestinos e israelenses?

A Faixa de Gaza é uma pequena faixa de terra litorânea que faz fronteira com o Egito (a península de Sinai, a sudoeste) e Israel. Originalmente, na divisão da Palestina pela ONU, em 1947, faria parte do Estado palestino. Com a guerra de 1948, quando os países árabes foram derrotados mas Jordânia e Egito tomaram para si partes do território destinado aos palestinos, Gaza ficou com o Egito e a Cisjordânia com a Jordânia (e os palestinos, sem nada).

Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou essas duas áreas, ficando com elas até o tratado de paz de 1993, chamado Acordos de Oslo. O Egito, então, declarou abrir mão do direito sobre a Faixa de Gaza para os palestinos, o mesmo fez a Jordânia com a Cisjordânia.

Essas duas áreas, separadas entre si por terras de Israel, deverão se tornar o território do futuro Estado Palestino. Essa é sua importância para os palestinos e ao mesmo tempo, para os israelenses contrários ao Estado Palestino. Além disso, como há população judaica nas duas áreas, os radicais palestinos atacam suas localidades, forçando a intervenção do exército israelense em sua defesa. Entre 1993 e 2000, essa foi sempre a principal fonte de tensão na área.

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